Gestão de custos em tempos de crise
Qua, 26 de Novembro de 2008 08:01
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Para os empreendedores que não estavam acompanhando a crise financeira que o mundo está vivenciando, foi uma grande surpresa no momento em que vários de seus clientes não fecharam os contratos, ou no instante em que as vendas de seus produtos caíram consideravelmente. Se para aqueles que se preveniram e anteciparam decisões estratégicas, está sendo extremamente difícil contornar e tentar se adaptar às mudanças do mercado, imagine para os que demoraram a acreditar e, mais ainda, para aqueles que foram atingidos instantaneamente. O fato é que a crise é uma realidade no mercado e todo ele será atingido, claro, com intensidades que irão depender de vários fatores. Portanto, a conclusão imediata que se pode perceber é que as empresas irão cortar gastos.

Como sempre, o corte de gastos está entre as principais medidas do pacote de decisões estratégicas em tempos de crise. Mas o que está por traz disso, e a maioria das firmas não adota mesmo sendo fundamental, é que a gestão dos gastos deve estar sempre sob controle e ser bem estruturada. Com isso, os administradores podem fazer uso de boas análises financeiras para que, assim, eles possam tomar as decisões necessárias, conscientemente, sempre que for preciso.

O que a maioria das empresas não entende e pratica de forma precipitada e equivocada é que o controle de gastos deve ser executado independentemente do momento pelo qual a corporação estiver passando. Esse controle gera uma série de benefícios e evita vários problemas para qualquer empreendimento. Mas, o que se vê no mercado é que principalmente as micro, pequenas e médias empresas não administram adequadamente seus recursos. Devido a isso, quando uma crise atinge o mercado elas não estão preparadas para se adaptar às mudanças que se fazem necessárias.

Com uma estrutura financeira bem organizada, pode-se identificar um detalhe primordial: as origens e destinos de cada gasto. Assim, a equipe administrativa sempre será capaz de diagnosticar com agilidade e precisão o que deve ser mantido e o que deve ser cortado, diante de determinado contexto. Com isso, as empresas evitam tomar atitudes erradas que possam ser irreversíveis e comprometedoras. Outro benefício gerado pelo bom controle financeiro é o planejamento dos gastos. Os gestores serão capazes de identificar com segurança o nível de investimento que a estrutura financeira da firma comporta e, assim, eles poderão direcionar melhor esses recursos. Um caso muito comum no mercado é quando uma empresa decide expandir-se, mas não se planeja para isso e acaba se endividando mais do que poderia. Outro caso muito constante que ocorre nas empresas que não possuem uma gestão estruturada de seus gastos é quando, em tempos de crises como essa, acabam cortando gastos que são primordiais para o funcionamento das mesmas e, devido a isso, elas acabam assinando sua própria sentença de morte. Sem falar nas firmas que surgem diariamente e que não conseguem sobreviver no mercado nem por três meses. Dentre os principais motivos do grande número de empresas que surgem, mas não conseguem se manter no mercado, está a ausência de planejamento financeiro. Uma ferramenta básica do controle financeiro é o fluxo de caixa e ele é o principal responsável por esse e outros problemas.

Entre as principais lições que os empresários prejudicados por crises aprendem, está compreender a importância de se planejar para, sempre que necessário, adaptarem-se às mudanças do mercado. E uma condição fundamental para viabilizar tudo isso é manter um controle bem estruturado dos gastos, que produza análises financeiras mensuráveis e que traduzam a realidade financeira da instituição.

Marcelo Silveira Fonseca é aluno de Economia e Gerente de Recursos da UFMG Consultoria Jr..