A importância da gestão do conhecimento e modos de fazê-la ser efetiva
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“Gestão do Conhecimento” tornou-se um termo bastante comum no mundo empresarial nos últimos tempos. Segundo a Organization for Economic Co-Operation and Development (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OECD), o conhecimento gera 55% da riqueza mundial. De acordo com Peter Drucker, conhecido como “o pai da Gestão moderna”, “os grandes ganhos de produtividade, daqui para frente, advirão das melhorias na gestão do conhecimento”. Considerando, por exemplo, um gerente de produção com 20 anos de experiência de mercado, com diversas capacitações e cursos de especialização e que trabalha numa indústria de calçados. Ele adquiriu, com este trabalho, muitas experiências, através de erros, acertos, teste de novas idéias e novos produtos. Caso essa indústria não utilizasse práticas de gestão de conhecimento e este gerente decidisse se aposentar, a empresa perderia muitos anos de conhecimento, e o substituto, provavelmente, sem conhecimentos tácitos, deverá cometer os mesmo erros para chegar ao mesmo nível do primeiro gerente de produção. “Gestão do Conhecimento” é uma disciplina que promove, com visão integrada, o gerenciamento e compartilhamento de todo o ativo de informação possuído pela organização. Esta informação pode situar-se em bancos de dados, documentos, processos, bem como em pessoas, através de suas experiências e habilidades. Ela é necessária para organização do capital intelectual, permitindo acessibilidade a grandes quantidades de informações corporativas, identificação e mapeamento de ativos de conhecimento além das melhores práticas, apoio para a geração de novos conhecimentos, organização de dados, e evitar cometer erros repetidos e manutenção da memória organizacional. A “Gestão do Conhecimento” pode ser feita por meio da conversão de conhecimento tácito (que pode ser articulado na linguagem formal, inclusive em afirmações gramaticais, expressões matemáticas, especificações, manuais etc.) em explícito (conhecimento pessoal incorporado à experiência individual e envolve fatores intangíveis como, por exemplo, crenças pessoais, perspectivas, sistema de valor, insights, intuições, emoções, habilidades). Segundo NONAKA & TAKEUCHI (1997), para se tornar uma “empresa que gera conhecimento” (knowledge creating company) a organização deve completar uma “espiral do conhecimento”, espiral esta que vai de tácito para tácito de explícito a explícito, de tácito a explícito, e finalmente, de explícito a tácito. O tácito para tácito ocorrerá com o compartilhamento do conhecimento tácito, por meio da observação, imitação ou prática. O tácito para explícito, o segundo ponto, será a conversão do conhecimento tácito em explícito e sua comunicação ao grupo. Depois, deve-se armazená-lo em um manual ou guia de trabalho e incorporá-lo a um produto. Por fim, internalizar os novos conhecimentos para que outras pessoas o utilizem para aumentar, estender e reenquadrar seu próprio conhecimento tácito, que compreende o explícito para tácito. Outro modelo de “Gestão de Conhecimento” é o CRIE, que consiste na interação entre Capital Estrutural, Capital de Relacionamento, e Capital Intelectual que ocorre dentro da organização, que é o Capital Ambiental. Para isso, a organização deve identificar e mapear todos os seus processos, junto com suas medidas de desempenho (indicadores), ou seja, seu Capital Estrutural. A partir daí, precisa constituir e facilitar a rede de relacionamento, que irá proporcionar o sucesso do negócio, o Capital de Relacionamento. Por fim, deve desenvolver e reter, através de fóruns de discussão, criação de um ambiente de trabalho adequado, o Capital Intelectual, que corresponde às habilidades, capacidades, experiências e conhecimentos das pessoas que integram a organização. Na UFMG Consultoria Jr., a gestão do conhecimento ocorre em diversas áreas. Foi elaborada uma planilha na qual há a descrição dos cargos, suas funções e informações específicas, de forma acessível e prática, separadas por células da empresa. Além disso, para a execução de projetos externos e internos, a Gestão do Conhecimento documenta todas as etapas, incluindo datas e responsáveis da empresa pelo trabalho. No início do projeto, são indicadas referências bibliográficas e professores orientadores, segmentados por área de atuação, que auxiliam algumas etapas pontuais dos projetos, além da tabulação automática da avaliação sobre a orientação fornecida. Há um sistema de busca para os projetos já realizados, segmentados por ano de finalização e produto executado, com o esclarecimento sobre alguns pontos essenciais que justifiquem o desenvolvimento de algumas etapas, além de documentar problemas apresentados e soluções propostas para evitar a recorrência de dificuldades. Os resultados das atividades executadas pela Célula de Projetos são devidamente computados e analisados periodicamente. Para complementar, existe a Reunião de Consultores e Analistas, que é espaço para a disseminação de informações entre os membros participantes do gerenciamento e da execução dos projetos da empresa. Por causa da forma como é trabalhada a Gestão do Conhecimento na UFMG Consultoria Jr., a empresa foi convidada em 2008 para falar sobre o assunto no Encontro Mineiro. A Gestão do Conhecimento é de crucial importância para as organizações, pois sem ela, a capacidade de inovar, criar novos produtos e novos mercados fica prejudicada o que, atualmente, trás sérios problemas para as empresas em termos de produtividade e crescimento. Daniel Fernando Silva é estudante de Economia e Consultor da UFMG Consultoria Jr. |