É Preciso Planejar para Investir
|
|
A UFMG Consultoria Jr. no ano de 2006 realizou um plano de negócios para abertura de uma loja de roupas femininas na capital, a Urbana. O projeto contou com diferentes etapas, sendo a última delas foi um estudo de viabilidade econômica, realizado por uma equipe de três membros. Esta era uma etapa importante, pois seria a partir dela que o investimento realizado pelos futuros proprietários seria analisado de forma técnica. Primeiramente a equipe buscou entender, através da análise de concorrentes, entender como funcionava financeiramente uma loja de roupas femininas, questões como sazonalidade, preços, descontos, formas de parcelamento, receita, principais despesas e impostos pagos. Isso era importante para poder projetar uma Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) o mais próximo possível da realidade. Começou-se então o levantamento de seus principais custos e despesas, levando em conta o período de abertura, e foi feita uma orçamentação base zero, isto é, feito um orçamento das despesas sem contar com uma base histórica, pois a loja ainda não funcionava. Buscou-se também levantar corretamente quais os tributos que e loja estaria sujeita a pagar e quais as alíquotas destes tributos, para poder garantir já de início uma situação tributária correta. Além disso, a equipe procurou saber junto ao cliente quais eram as despesas que eles já tinha conhecimento, como o aluguel e o condomínio da loja. Após a etapa de orçamentação, foi feita a projeção da receita da loja para se ter idéia do comportamento da DRE nos anos subseqüentes a abertura da loja. Para tal etapa foi levada em conta a sazonalidade de vendas do setor, aumento de cerca de 70% nas vendas em dezembro, por exemplo, e a receita de uma loja semelhante para que o resultado fosse real. Também foi determinado nessa etapa o mark-up da loja, qual a porcentagem que deveria ser incluída no custo das peças para venda. Porém, isso gerou um problema, pois havia uma concorrente muito próxima ao local onde a loja se instalaria o que determinou um teto para os preços cobrados pela Urbana, pois caso fossem maiores iria causar perdas de clientes para concorrente, mas ao mesmo tempo o mark-up teria que ser suficiente para cobrir as despesas de uma loja recém aberta. Por esse motivo foi determinado um mark-up que a loja teria, mas também uma margem para variação, para que os preços pudessem se ajustar aos da concorrente. E como conclusão dessas fases projetou-se os fluxos de caixa mensal, incluindo compras parceladas, e as DRE’s mensais. A partir daí foi possível começar a realizar a análise do investimento realizado por eles, foram usadas algumas ferramentas como Análise de Cenários, Análise de Sensibilidade Payback Time, Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e simulação de Monte Carlo, além da determinação do capital de giro da Urbana. Primeiramente, foi calculado o payback, quanto seria o tempo de retorno do investimento inicial, e o VPL, qual seria o valor investido em termos reais dado o período de payback - esperou-se obter um valor positivo -, para isso usou-se a TIR, basicamente a inflação. Começou-se então a analisar qual seria o principal fator determinante do VPL, se seriam os custos fixos, os custos variáveis ou a receita, e ficou claro que seria esta última. A partir disso a equipe passou a analisar qual seria o impacto da receita no VPL, determinou-se um limite superior e um inferior para a receita e foram geradas 10.000 receitas aleatórias entre esses valores para se poder gerar 10.000 fluxos de caixa e a partir deles mais 10.000 VPL’s, ou seja, criou-se um número grande possibilidades de VPL variando a receita – pois ela é que representava maior influência sobre ele. Através disso foram feitas análises estatísticas em cima dos resultados para determinação das chances de o projeto obter êxito ou não – Simulação de Monte Carlo. Por fim calculou-se o capital de giro necessário para abrir a loja e mantê-la por 3 anos. O projeto então forneceu um grande número de informações para os cliente que possibilitaram a tomada de decisões nos negócios dadas as possibilidades de comportamento da DRE e do fluxo de caixa da Urbana. Ariel Mares Machado é Diretor Administrativo-Financeiro e aluno do Curso de Ciências Econômicas |