Crise mundial abala políticas ambientais
Seg, 24 de Novembro de 2008 07:39
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Em meio à desaceleração do crescimento econômico e à crise bancária nos Estados Unidos, surge o temor de uma diminuição no desenvolvimento de projetos sociais e de preservação do meio ambiente. Políticas essas tão debatidas anteriormente em meio a um período de grande crescimento econômico mundial, mas que podem se deteriorar em face da turbulência do mercado financeiro e do medo de uma possível recessão das economias globais.

Exemplo maior desse arrefecimento veio na última semana, com o enfraquecimento da determinação da União Européia (UE) em cortar a taxa de emissão de gases causadores do efeito estufa. O Comitê do Meio Ambiente do Parlamento Europeu, importante órgão de decisão do governo europeu acerca das questões climáticas, discutiu metas para a redução nacional das emissões de CO2. A discussão teve como tônica os altos custos da implementação do projeto, fato este que poderia expulsar empresas da Europa, além de gerar altos custos para as famílias européias.

Posturas semelhantes à do Parlamento Europeu estão se tornando comum atualmente. Importantes empresas mundiais que desenvolviam projetos sociais ou investiam em ONGs, começam a repensar a viabilidade econômica desses investimentos, tendo em vista que a redução do crédito na economia, principalmente na norte-americana, causa uma diminuição do consumo.

Não se pode exigir das empresas a continuidade dos seus investimentos em projetos sociais, uma vez que as empresas estão sujeitas às incertezas do mercado. Porém, é importante que as empresas tenham em mente que, assim como a bolha financeira norte-americana gerou esta crise econômica atual, o consumo desenfreado dos ativos ecológicos do planeta pode acarretar uma nova crise de proporções catastróficas. Além disso, existe a mentalidade ultrapassada de que custos com encargos sociais não fazem parte dos custos das mercadorias, sendo estes dispensáveis na precificação de produtos e serviços.

É importante que as empresas tenham consciência do quanto é importante conservar seus recursos ecológicos, além de fomentar o desenvolvimento de negócios inovadores, que sejam exemplos de gestão sustentável dos ativos naturais envolvidos nos processos e que possibilitem gerar riquezas sem afetar a estrutura interna das empresas. A adoção de ferramentas para mensurar o retorno dos investimentos sociais também é de grande importância para as empresas, mesmo que os dados da ONU sejam muito esclarecedores nesse sentido, é importante que as empresas tenham um banco de dados próprio, que as substanciem com informações na tomada e admissão de políticas viáveis.

O Núcleo Social da UFMG Consultoria Jr. (UCJ) busca desenvolver e conscientizar os membros da empresa sobre a importância de se adotar uma postura transformadora junto à sociedade e os seus stakeholders. Sendo assim, ao relacionarmos a atual crise mundial e os efeitos da mesma junto às empresas atendidas pela UCJ, fica claro que a adoção de práticas auto-sustentáveis por parte dos membros na elaboração dos projetos é de fundamental importância para a disseminação desses novos conceitos gerenciais, demonstrando, assim, que práticas sustentáveis de gerência têm amplo espaço em meio à crise.

Christiano Mares Weikert de Oliveira é aluno de Economia e Trainee da UFMG Consultoria Jr..